
Incuráveis (Gustavo Acioli)
Ressignificação. Essa expressão que eu aprendi fazendo prova de vestibular é o palavra-chave para Incuráveis de Gustavo Acioli. A sinopse é simples: homem que pretende se matar contrata uma prostituta num bar em sua última noite. Desse resumo feito em uma linha, Acioli consegue transformar o filme em uma outra coisa muito além da sinopse. Os diálogos são ressignificados conforme o decorrer da trama; o que não parecia ser de maneira alguma uma história de amor, aos poucos vai ganhando formato. A história vai se acertando, sem se explicar. A passagem confusa do tempo conflui com aquele ambiente escuro, sujo e pouco confiável. Os personagens e seus comportamentos “questionáveis” se encaixam ao ambiente, à situação e a eles mesmos, fazendo do filme um misto de incerteza, mudança, realidade, sonho, passado, futuro, beleza e sujeira. A câmera e a luz são essenciais para compor esse clima, sem esquecer de mencionar as brilhantes atuações de Fernando Eiras e Dira Paes.
“E o que a gente faz com tudo isso que é a gente?” Só assistindo a Incuráveis para ter uma mísera noção de como começar a responder a essa pergunta.


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