Tuesday, January 29, 2008

O amor nos tempos do cólera


O filme é apenas um relato e perde totalmente a força do romance fantástico de Gabriel García Marquez. No entanto, Javier Barbem rouba a cena mais uma vez e consegue transformar o personagem apagado em um divertidíssimo conquistador. Fernanda Montenegro está bem como a devotada mãe latina e o casal principal quase deixa a desejar. O que incomoda mais que tudo é o inglês onipresente. Parece bobeira, mas o filme ser em inglês faz perder muito do charme do livro em espanhol, inclusive a sua atmosfera. Algo que não acontece com Pantaleão e as visitadoras, por exemplo. Nesse filme, Lombardi, o diretor, consegue construir uma atmosfera que condiz com a selva amazônica, e com o Peru. Em o amor nos tempos do cólera, parece apenas que se cumpre o protocolo de uma história a contar. Todos os tambores e calores que ecoam na memória de quem leu o livro, aquele amor forte que por causa de um cheiro, deixou de existir, aquela viagem interminável pela selva, tudo ou passa muito batido, ou simplesmente não está no filme, como o motivo do fim do amor. Reconheço que é difícil fazer uma adaptação, quanto mais de García-Marquez, e como é impossível colocar tudo na tela, deve-se escolher o que alguns elementos do filme para a adaptação. No caso do filme, privilegiou-se a cronologia da história, e deixou-se de lado vários elementos menores, como a história do papagaio, e, repito, a viagem para o interior, a frenético e astuta correspondência entre eles. Elementos pequenos, sim, mas que tornam a história colombiana, e mais, um legítimo produto de seu autor.
Mas por incrível que pareça, o filme não é ruim, só não é maravilhoso como é o livro. Conta a história e diminui o amor inicial, até para ser verossímel, já que o filme privilegia a parte seguinte do livro. Mas perde e perde muito das palavras do autor. É um filme que dá o seu recado, mas não deixa lembranças.

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