Nome Próprio

Instigada por toda discussão a cerca do mercado do filme nacional, o desejo de uma política do audiovisual auto-sustentável, e curiosa sobre o filme, fui assistir a Nome Próprio. Confesso que fui hoje para não ceder à pressão da panfletagem “ir no primeiro final de semana”.
O filme retrata muito bem a geração de atual, suas gadgets eletrônicas que preenchem um vazio reinante em todos os espaços. Camila é uma jovem “bem-resolvida” que faz de si própria personagem num blog, cultuado por adolescentes. Sua vida é pública, num espaço onde viver e escrever se confundem. Camila é uma espécie de Carrie Bradshaw heavy metal, sem glamour e com muita dor, por tudo que ela mesma provoca. No entanto, não há outra maneira de viver, nem de escrever, é com dor e cicatrizes que se faz uma história.
O que Murillo Salles consegue captar muito bem é esse sentimento de vazio, de desconhecimento do mundo, das pessoas, onde tudo é fugaz, e escrever se torna o único caminho confiável para se seguir.
Leandra Leal se entrega a essa personagem nada previsível, e humana, acima de tudo. O filme é grandioso também porque ela está uma grandiosa atriz, que mesmo sendo tão imprevisível, a identificação é inevitável, e nos aproxima ainda mais da narrativa.
Ponto também para a Arte do filme que consegue demonstrar com cenários minimalistas e poucos objetos cênicos esse clima de êxtase e angústia do filme.
É uma pena que a exibição estivesse tão ruim e por muitas vezes, não era possível ler as frases que surgiam na tela. E voltamos ao mesmo problema do início do texto, e em que pé está o cinema nacional. Nesse assunto, prefiro estudar ainda mais um pouco para publicar uma opinião, não sou tão corajosa como a Camila do filme, que transborda em palavras na internet. Mas uma coisa posso falar: vão ao cinema ver Nome Próprio porque é muito bom, e infelizmente, terá uma vida curta de exibição, assim como Personal Che, Fôlego e outros que só aparecem poucas semanas nas telas, e (muitas vezes) desaparecem sem deixar rastro.

